Synth Britannia – BBC -2009 Como se desenvolveu um braço da musica eletrônica pop nos anos 80
O documentário “Synth Britannia” (2009), produzido pela BBC, é um filme essencial para entender a revolução da música eletrônica no Reino Unido. Ele traça a ascensão, o domínio e o legado duradouro do synth-pop e da música eletrônica experimental britânica, das suas raízes no final dos anos 1970 até o seu impacto na cultura popular dos anos 1980 e além.
Origens e Influências (Fim dos anos 1970)
Romper com o Rock: O documentário começa mostrando como jovens músicos, cansados do excesso e da “masturbação de guitarra” do rock progressivo e do punk já comercializado, buscaram um novo som.
Influências Chave: A inspiração veio de:
Kraftwerk: A banda alemã que tratava os sintetizadores como instrumentos de pop e falava sobre modernidade.
David Bowie (especialmente a fase Berlin Trilogy) e Brian Eno, que exploravam a ambientação e a textura.
Donna Summer e “I Feel Love” de Giorgio Moroder, que mostraram o potencial futurista da batida eletrônica.
Tecnologia Acessível: O surgimento de sintetizadores relativamente baratos e fáceis de usar (como o Roland SH-101, o TB-303 e as caixas de ritmo) permitiu que jovens sem treino musical clássico criassem música.
A Era de Ouro do Synth-Pop (Início dos anos 1980)
As Bandas Pioneiras: Foca nos “heróis” do movimento:
The Human League: De experimentais a popistas, com o álbum Dare e hits como “Don’t You Want Me”.
Gary Numan: O tímido que se tornou uma estrela enorme com “Are ‘Friends’ Electric?” e “Cars”, trazendo o som synth para o topo das paradas.
Depeche Mode: De Basildon, adolescentes que faziam pop alegre com sintetizadores (“Just Can’t Get Enough”) e depois evoluíram para um som mais sombrio.
Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD): De Liverpool, combinando melodias pop com temas industriais e sentimentais.
Soft Cell: A dupla crua e teatral que trouxe o soul para o synth com “Tainted Love”.
New Order: A evolução do pós-punk do Joy Division após a morte de Ian Curtis, abraçando a eletrônica e a batida de dança, culminando em “Blue Monday”.
Tensões e Evolução
“Eletrônicos vs. Músicos de Verdade”: O documentário explora o preconceito da crítica e do público, que viam os sintetizadores como “frios”, “artificiais” e “não autênticos”.
A Volta dos “Instrumentos de Verdade”: Muitas dessas bandas, pressionadas ou buscando crescimento, começaram a incorporar baterias acústicas e guitarras (como o The Human League e Depeche Mode), o que criou tensões internas.
Legado e Influência
A Cena Dance e o Acid House: “Synth Britannia” argumenta que essas bandas abriram o caminho para a explosão da cultura rave e acid house no final dos anos 1980, ao normalizar a música feita inteiramente com máquinas e destinada a pistas de dança.
A Ponte Crucial: O documentário posiciona esses artistas como a ligação vital entre os experimentos avant-garde dos anos 1970 e a cultura eletrônica dominante que se seguiu.
Synth Britannia é um documentário sobre uma geração que usou a tecnologia nova e acessível para criar um som que era ao mesmo vez futurista e profundamente pop, rompendo com as tradições do rock e definindo a sonoridade dos anos 1980. É uma história contada pelos próprios protagonistas (com entrevistas extensas e envolventes), cheia de clipes de época e uma trilha sonora incrível, celebrando como a eletrônica deixou de ser um nicho experimental para se tornar a linguagem principal da música pop.
Se você tem interesse em música eletrônica, cultura dos anos 80 ou na história da música pop moderna, é um documentário obrigatório.